Publicado por: erickpingado | 28/10/2010

Onde se esconde o fascismo petista…

Uma vez uma amiga, numa noite de conexões me falou que votaria na Dilma porque “o governo fez muito pelos pobres”, e que eu era contra esse governo porque era um burguês que não sabia o que era passar fome.
Graças a Deus eu não sei o que é passar fome, e agradeço muito por isso. E também não quero vir a saber simplesmente para aumentar meu entendimento no assunto. Justamente por não passar fome, tenho clareza de idéias, tenho uma mente mais liberta que não depende de saber se hoje terá as necessidades básicas do ser humano para sobreviver, que pode ser livre para pensar em qualquer coisa e não precisa se preocupar se hoje haverá pão. Lógico que me toca e me deixa triste a situação do próximo. Não gosto da pobreza, da fome, da miséria e da guerra. Onde e como posso, procuro lutar contra tudo que acredito ser negativo. Mas existe algo mais diluído nessa sociedade humana que é pouco perceptível a muitos, inclusive à minha cara amiga que amo tanto: o fascismo.
Esse sentimento não é tão simples de entender, tão pouco de constatar. Não entro na questão do Lula receber um político extrangeiro que nega o acontecimento do holocausto, não é isso. O fascismo está dentro de nós, talvez desde o nascimento, ou passado comportamentalmente, não sei. O fascismo, que apareceu em sua expressão máxima na segunda grande guerra, vestido sob o nome nazismo, se apresenta também em atos singulares. Encarcerar a liberdade, subjulgar uma pessoa, principalmente por um ato, ou por uma característica que ela não escolheu, são momentos de tremendo fascismo. Obrigar uma pessoa a escolher o que ela não quer e excluí-la do sistema social quando ela não se enquadra, é sim um movimento fascista.
Refletindo volto à conversa com minha cara amiga. Ela citou o sistema de cotas e bolsas do governo petista como algo evolutivo. Eu pergunto: que evolução é essa?
Ela responde: as pessoas saíram da miséria.

Penso que tirar o povo da miséria deveria ser um princípio básico de um governo, obrigatório. Vangloriar dessas medidas não causam efeito sobre meu discernimento. Um governo deve ter em sua agenda alguns pricípios básicos, o acesso à alimentação é talvez o mais elementar destes. Então volto ao sistema de bolsas e discuto sobre o programa bolsa escola. Uma esmola pequenininha, mas que funciona para trazer comida à mesa de quem não tinha. Ótimo. Porém, ótimo para aqueles que não permitem esticar o pensamento, que são travados à redeas curtas e se enganam com propagandas governamentais filmadas em câmeras RED de alta qualidade com os melhores atores que puderem encontrar. Inclusive relato outra deficiencia do povo brasileiro: a ingenuidade perante a imagem. A bolsa escola é destinada à família que mantém a criança na escola. Agora imaginamos a sua família dependendo dessa bolsa para comer (e como depende, porque o governo oferece esmolas demais e oportunidades de menos). Um belo dia os fiscais passam em sua casa e percebem que seu filho parou de ir a aula, pergunto: Qual a consequencia?
Simples, sem aluno na escola, sem bolsa escola. Então aquele dinheiro que foi entregue a você, para sua necessidade básica, é tomado. Você, nesse sistema, é obrigado a aceitar a forma ditada (palavra lembra ditadura não?) do contrário, é excluído do acesso ao básico para sobrevivência.
É dificil entender que o governo não fornece o básico à população? Ele apenas sustenta uma enorme vitrine para se manter no poder. De modo ditatorial e fascista eles obrigam as pessoas a se enquadrarem no seu modo de governar e excluem aqueles que são contrários. Não nos dão espaço à reflexão e jogam todos em uma imensa bola de neve que rola ladeira abaixo, coletando todas as falhas sociais despedaçando dentro da escola, que é obrigada a abrir a porta para os problemas todos e não recebe, nem pela fresta da janela, uma rajada de solução. E no fim, para contornar tudo isso, arregassam ainda mais as portas das universidades e colocam lá dentro alunos despreparados, que formam no terceiro grau incapazes de fazer uma reflexão sobre o prórpio umbigo.

Sistema controlador. Daqui a alguns tempos temo ver pessoas, inclusive queridos amigos, se submetendo a algum tipo de implantação de chip subcutâneo para o controle cerebral por acreditar que somos livres. Aí lembro a eles de escreverem a palavra LIVRES numa folha de papel e colocar de frente ao espelho.

Reforço que não sou PSDBista e tão pouco votarei no Serra. Estou aqui acusando as falhas que hoje são tidas como sucesso. Para mim, independente do resultado, preciso refletir e tentar fazer alguma miudeza para ajudar o próximo e o mundo. Se pudesse preferiria não ter nenhum dos candidatos do segundo turno no poder. Precisamos de uma outra fórmula, algo diferente desses últimos dezesseis anos.

Um abraço do amigo,

Erick Leite

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Responses

  1. Oi Erick, concordo com sua opinião! Muito do que o governo faz, deveria ser considerado por todos não mais que uma obrigação (me refiro a esfera municipal, estadual e federal).

    Eu particularmente tive minha bolsa do prouni cancelada quando estudava na PUC, numa época em que a minha família estava em crise! O divórcio dos meus pais. Sequer tinha paz em minha casa, quanto menos tranquilidade pra me dedicar ao resto – tanto que eu mesmo entrei em crise, no trabalho, na faculdade;

    Perdi a bolsa sem ser questionado dos porquês disso! Aliás, para conseguí-la, tive que me HUMILHAR! Detalhe: para estudar na Universidade CATÓLICA!

    Foi a regra ditada para mim e foi aniquiladora dos meus sonhos naquele momento. Mas certamente ainda me usam como estatística de alunos que foram beneficiados pelo PROUNI, para fazer propaganda a favor deles.

    Mas voltando a questão: não acho que nenhum dos candidatos que estão disputando essas eleições sejam de fato pessoas que possam mudar algo. Continuo achando que a disputa será sempre pelo poder (individual, de partido) e os benefícios que o cargo deve oferecer.

    E o poder é algo sempre muito desejado e diria até muito perigoso. Quem o possui não quer perdê-lo e quem se vê prestes a obtê-lo usa-se de qualquer artimanha para alcançá-lo.

    Acho que vão continuar a fazer o básico para todo mundo, se vangloriar disso e no final das contas, cada um de nós é quem deverá lutar dia a dia para conseguir realizar os sonhos, porque a cúpula já terá realizado o sonho deles.

    Quem me parecia coerente em relação a tudo isso ficou de fora da disputa, talvez por não aceitar a utilização dos mesmos artifícios que os demais, por acreditar nos seus valores, mesmo que para isso tivesse que sofrer uma “derrota”.


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