Publicado por: erickpingado | 26/10/2010

Não me obriguem a escolher

Pessoas,

Antes de tudo queria dizer que fico triste quando os “camaradas” e os “tucanos” me reprimem, de maneira fascista, quando digo que irei votar nulo. Anular é uma opção que temos num processo eleitoral em que somos obrigados a levantar o traseiro e ir votar. Eu sei que terei que engolir um dos dois candidatos, mas quero ir expressar meu descontentamento em ter que escolher entre dois ruins. Então é isso que farei, direi que não gosto dos candidatos que aí estão para se escolher. Tenho recebido emails de direita e esquerda, que muitas vezes se encontram pelo centro, mas afirmo que não conseguiram conquistar minha simpatia.

Estou aqui mais uma vez para conversar com queridos amigos sobre um tema que muitas vezes tira meu sono (como agora): eleição.

Estava vendo as propostas de governo entregues ao TSE dos dois candidatos. Hoje quero discutir uma das mais importantes: a Educação.

Começarei com as propostas vermelhas.

É incomodo o tanto que a Dilma fala em investimento universitário e às vezes esquece-se de falar da educação de base. A universidade hoje está voltada para vitrine política muito mais que para o desenvolvimento científico. O governo petista está mais preocupado em números de pessoas estudando na faculdade do que a qualidade do ensino. Esse sistema de cotas é incrivelmente absurdo. Ele diz: estudantes de escolas públicas e negros terão uma leve vantagem. Bom, vamos analisar? Dar vantagem a negros e estudantes de escola pública é assumir uma grande falha no sistema social e educacional: os negros continuam sofrendo com desigualdade e as escolas públicas não recebem o investimento necessário. Aí qual é a solução do governo petista? Jogar o problema para a Universidade… “é, lá na frente a gente corrige”.
Nããããããão. Isso tá errado. O país tem que investir lá na escolinha. No local onde o professor, que ganha pouco, tem que ensinar a criança o beabá. E continuar investindo na formação fundamental e média. E em escolas técnicas que retornem em empregos, com uma forte participação da iniciativa publica-privada para abrir o gargalo das oportunidades aos que formam. E na universidade, chegar a um nível onde não precisaremos identificar quem é Kaká ou quem é Robinho. Preto, branco, classe média ou não, você terá oportunidade igual, desde o berço. Isso não está nem nas entrelinhas do governo de esmolas do PT.
Não gosto da política educacional do PT de antes e não gosto da apresentada agora. Repito: investir pesado em educação, mas de modo ponderado, de forma a destinar verba para todos os níveis da educação, da pré-escola à universidade. Enxergar as cotas (que sou contra) como algo paliativo de urgente reestruturação e extinção. Fazer das cotas um mito, para que todos cheguem com a mesma oportunidade.
Direcionar as pesquisas científicas em consonância com as necessidades econômicas do país. Parar de pensar em números e preocupar com a qualidade. Professores de hoje realizam pesquisas de excelência na base da guerrilha e “super boa vontade”. Que isso se transforme e que os professores possam produzir profissionalmente, com um direcionamento de verba maior para as pesquisas. Incentivar as “pesquisas puras”, teóricas, e trazer o investimento privado para trabalhar junto nas pesquisas aplicadas. O governo tem que entender que o Brasil possui capacidade encefálica, mão de obra e dinheiro para fazer da Amazônia (por exemplo), um negócio rentável.
Me assusta ver esses protetores de animais fazerem propaganda para um governo que incentiva a expansão pecuária na Amazônia (destinando verba para isso).
Portanto, digo não à Dilma. Pensando em um quesito e dando pitadas em outros.

Agora vamos ao outro não, aos Tucanos.
Do site do Serra:
“Em Londrina (PR), Serra recebeu uma carta compromisso solicitando o aumento do número de creches, a erradicação do analfabetismo no País, a ampliação das matrículas nos ensinos profissionalizantes e superior e a garantia de que, até 2016, todas as crianças e adolescentes estejam dentro de uma sala de aula. “Esse documento que me foi passado é como se eu mesmo o tivesse escrito. Nós precisamos de um Plano Nacional de Educação, precisamos de uma mobilização, uma obsessão nacional pelo ensino de qualidade e apartidário.
Hoje também é o meu dia, porque eu trabalhei a minha vida inteira como professor. Até como governador e prefeito de São Paulo, eu nunca deixei de dar aula, porque eu ia às escolas sentir os problemas e dificuldades do ensino”, disse.
Serra ainda defendeu o auxílio do governo federal aos estados e municípios menos desenvolvidos para pagarem o piso salarial dos professores: “Apesar de o piso ser baixo, muitos não têm condições financeiras de pagar e o governo federal não cumpriu o compromisso de complementar esses recursos”. E completou: ‘Temos que fazer uma aliança entre todos, criar condições materiais decentes e garantir a formação permanente dos professores’”.

O problema do Serra é a capacidade de mentir na cara dura e firmar acordos fluidos. Como confiar em um candidato que registra a própria palavra em cartório e a descumpre? Difícil né…
Concordo, precisamos de um Plano Nacional de Educação… mas como meu querido Serra?. me apresente a proposta… aí vêm as respostas da cartilha do doutor Serra:
“Distribuir cem milhões de livros de literatura brasileira por ano para professores e alunos da rede pública a partir do 5º ano do Ensino Fundamental”.
E fazer o que com isso? Vai ser igual ao kit de literatura Africana que já é distribuído pelo governo federal? Este pouco é usado pelas escolas. Não há direcionamente nem treinamento para o melhor uso deles. E outra. Como fazer o aluno do quinto ano realizar uma tarefa em que ele não foi preparado pra fazer? Ler. (Tá, vai falar que isso é um problema do sistema de educação do PT, e você vai fazer o que?)
Aaaaa. Brilhante. Você então vai “garantir dois professores em sala de aula nas primeiras séries do Ensino Fundamental, para que TODAS as crianças de até oito anos sejam alfabetizadas. Enquanto a professora titular passa a lição, a auxiliar ajuda a criança que está com dificuldade de aprender”. E vai duplicar o gasto com professor e continuar pagando uma miséria dobrado… ótimo! E as salas de aula continuarão com 50, 60 alunos? Ótima idéia Serra!
Posso sugerir uma coisa que possivelmente pode dar certo? Porque não ampliar o número de escolas públicas, igual ao que já estão fazendo com as universidades… Mas olhe. Não se esqueça de contratar professores tá. Outra coisa, já pensaram que a política de oficinas culturais dentro da escola, em horário extra, pode trazer benefícios? Pode inclusive fazer o aluno se interessar por leitura, sabia? Eu mesmo, euzinho aqui, um Zé ninguém, tenho experiência de sucesso pra te contar…
E o Serra vem com a proposta: “Garantir o acesso de pessoas com deficiência à escolarização”. Aí deixo apenas uma pergunta: Vai treinar o corpo docente para receber estes alunos ou vai simplesmente jogá-lo dentro de uma sala de aula. Tente aprender com os erros dos rivais. Ao abrir a porta para todos, você abre também a porta para todos os problemas da sociedade… e para isso meu amigo, deve-se pensar em todas as soluções.

“Garantir que todas as escolas tenham computadores conectados à internet”. Por favor, não faça disso uma oportunidade de superfaturamento. E que os computadores obedeçam a cronologia tecnológica. E aprenda de uma vez por todas a adotar uma política de software livre, “pelamordedeus”.

Pessoas, eu poderia citar várias medidas do Serra e encontrar buracos. Até mesmo porque as promessas dos tucanos estão mais claras e de mais fácil acesso pela internet que as da camarada Dilma. Porém, ainda não consigo visualizar políticas sólidas que visem o avanço tecnológico, cientifico, cultural e social do país. Vejo o uso da Universidade como vitrine política, o que é triste. Vejo as crianças formando e chegando ao ensino médio sem lerem um livro se quer (isso quando sabem ler)…
Bom, poderia votar… Mas não estou satisfeito em nenhum dos lados… isso porque ainda não falei da minha saga nas propostas ambientais… nossa, dói. Por isso irei à urna dizer meu não. Não aos dois candidatos. Sei que um deles será nosso “mentor mor” e por isso mesmo eu torço para que eu esteja errado e que eles acertem mais do que o pouquíssimo que já fizeram. Bem mais, por favor. Eu continuarei com meus miúdos projetos, minhas miúdas fiscalizações e minhas miúdas discussões. Quero crescer junto com o país. Lutar pelo que acredito e ver menos desigualdade de oportunidade.
Ah é, e ter valor como artista. Pois arte é também profissão. Mas isso acho que é demais pra cabeça desse povo.

Um abraço,

Seu amigo, Erick Leite

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Responses

  1. Eu também sinto uma certa repressão aos que dizem que vão anular o voto. Parece que a baixaria das campanhas neste segundo turno se refletiu no comportamento dos militantes, que muitas vezes se esquecem que o princípio máximo da democracia é a liberdade.

    Eu analisei bastante toda a situação, e decidi, por vários motivos, que irei votar. Mas realmente acho que as propostas ainda estão muito falhas, principalmente na educação, que é a área mais importante na formação de um cidadão melhor e, consequentemente, de um país melhor. Será possível que os políticos não percebem isso?

    De qualquer maneira, o voto é muito oimportante, mas não é a única solução para tudo. É como você disse: temos que continuar com nossos miúdos projetos, nossas miúdas fiscalizações e nossas miúdas discussões. É assim que nós realmente exercemos a democracia.

    Parabéns pelo texto!

    • Olá Marcelinha.

      Concordo com você, o voto é muito importante. E nossa participação pós voto é maior ainda.
      O problema é ter que lidar com a insatisfação. E os insatisfeitos… que se danem? Não. Os insatisfeitos usam a obrigatoriedade do voto e a importância do mesmo para dizer: “você terá que melhorar muito pra conseguir meu apoio. Então vai lá meu filho, comece a ralar… que sabe no meio do seu governo eu te dê um sorriso”.

      Bjos, moça!

  2. Soh lembrando que a educacao de base eh de responsabilidade dos governos estadual e municipal.

    • Sim Tidé, com dinheiro repassado pelo governo Federal.

      Ações como a que falei, de oficinas, são, por exemplo, verbas repassadas do PAP, programa Federal. Por isso acrescento que precisamos de uma política Nacional de educação, pois o modelo como está não funciona.

  3. Dilma nao representa a totalidade dos meus anseios, mas compara-lo com Serra eh eh igualar por baixo. Mesmo que ambos sejam cheios de equivocos, sao dois pensamentos completamente opostos.

    Pelo menos as mudancas INICIADAS por Lula e continuadas por Dilma representam um caminhar em direcao a algo que com certeza eh mais significativo do que Serra pode nos levar.

    Somos um gigante e por isso temos uma inercia proporcional a esse tamanho. Mudar a direcao desse gigante nao pode ser feito com um passo grande e pretencioso justamente por causa dessa inercia: tem que ser feito aos poucos.

    E acredito que Dilma, ao contrario de Serra, representa essa mudanca gradual, que a longo prazo pode nos levar ao conjunto de nossos anseios atuais. Cabe a nos direcionar esses passos, guiar o gigante ou pelo menos instruir o seu condutor, com maior participacao politica na nossa vida social, nao somente essa demonstracao de politica que apresentamos nos momentos proximos as eleicoes. Temos que cobrar, apontar error, reivindicar, sugerir mudanda, o tempo todo, nao somente de 4 em 4 anos.

    Dilma ainda pode ser um atraso, rumo ao que almejamos, mas Serra eh retrocesso. Eh rebobinar a fita ao contrario.

    Se eu anular meu voto e Serra ganhar, ficarei com remorso imenso, pois terei mudado o passo do gigante para o lado oposto. Terei desperdicado os pequenos passos que comecamos a dar nos ultimos 8 anos. Passos pequenos, mas que caminham em direcao de algo melhor. Para todos.

    • Não acredito que a diferença seja tão grande agora… Talvez do governo FHC seja… Mas agora, os grandes projetos do camarada não serão desfeitos… o Serra não se arriscaria a um impeachment.
      Não acredito nesse “rebobinar”. E hoje não vejo nenhum problema maior entre aceitar Serra ou Dilma. Os dois são problemas demais já.

  4. Então, pessoas…

    Bom, não entrei em nenhuma das discussões que vocês fizeram para o primeiro turno, mas acredito que, como o Tidé falou, votar em Serra é igual a retrocesso. É figurinha repetida… A gente já viu esse filme antes e sabe muito bem como vai acabar.
    Com relação à questão educacional, sim, Erick… Concordo com você que a universidade tem sido usada como uma vitrine, como uma estratégia de marketing e nós que estamos em uma universidade pública, testemunhas do REUNI, sabemos que o que realmente importa para o governo atual são os números e não a qualidade. Pensei muito em anular… Depois, pensei muito em votar em Dilma, pois também sentirei muito remorso se o Serra se tornar “nosso” presidente e eu ter a consciência de que votei nulo. Na verdade, continuo só pensando e ainda não tomei minha decisão… Acredito que esse remorso só virá pois infelizmente os brasileiros ainda não possuem, em sua maioria, uma consciência política. A maioria das pessoas com quem conversei até agora me disse que não gosta de nenhum candidato, nem acredita neles, mas que o voto é importante, etc, etc. Para eles, anular é não exercer seu papel de cidadão (e essa lavagem cerebral foi feita nas pessoas por parte do governo, não tem como negar!). Assim, escolhem qualquer um mesmo (ou o que eles consideram “menos pior”) para votar. A questão é que, se todos os insatisfeitos fossem conscientes a ponto de votarem NULO e expressarem essa indignação, aí sim, acredito que funcionaria. Imaginem só o impacto que não teria se pelo menos umas 30 milhões de pessoas votassem Nulo? Infelizmente acredito que não é isso que irá acontecer… e aí vai que o Serra ganha? E aí vai que piora tudo? Por isso, vou continuar pensando, mas acredito que o mais importante a se fazer é realmente discutir, debater sobre os candidatos e suas propostas com todos… A cada vez que debatemos com alguma pessoa, mais contribuímos para que ela pense se está votando “porque tem que votar” ou porque realmente acredita na proposta deste ou daquele candidato. Já que o que o governo faz com as pessoas é promover a lavagem cerebral sobre a obrigatoriedade do voto seja lá em quem for, acredito que o debate político seja um dos “projetos miúdos” que devemos executar em nossa mera condição de cidadãos.

    Boa sorte pra nós

    Lis

    • Sim, acredito nisso.
      Acredito no poder da informação.
      Mesmo que muitos considere troca de emails algo burguês, o que é mesmo. Estes deveriam tirar o lado pessimista da palavra e entender que podemos fazer a diferença através da informação. Ficar jogando latinhas pro alto, fazendo arte na rua, protestos em avenida é importante, mas a reflexão, que cabe aos que hoje têm acesso ao estudo, é um processo importante na história da humanidade.
      Toda mudança requer reflexão. O problema é a cabeça revolta dos jovens (eu me incluo) que acham que toda mudança é a base do grito e esquecem que grandes avanços são vistos diluídos no tempo.

      Sou burguês, classe média, trabalho muito pra ter meu dinheiro (em salário desvalorizado) e estou insatisfeito.

      Abraços,

      Erick


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