Publicado por: erickpingado | 23/02/2011

Black Swan

Cisne Negro.

Começo com o título para respirar e tentar ordenar tudo o que vem em minha cabeça.
Poderia passar direto da parte em que faço um breve resumo do filme, até por parecer clichê contar a história de uma artista que é sucumbida pelo próprio perfeccionismo e acaba por misturar a vida real com a ficção da qual encena. Mas não, não posso passar direto – Lembro-me de Piglia quando fala que um conto tem uma estrutura superficial e trivial, escancarada ao leitor e outra profunda, codificada. O filme Cisne Negro é como o espetáculo Cisne Negro proposto pelo artista Thomas (Vicent Cassel): parece clichê, mas trás uma roupagem diferente, moderna; e por trás disso tudo, um drama psicológico profundo.

A Mãe

Erica Sayers, interpretada por Barbara Hershey, é uma ex-bailarina inconformada por abandonar a carreira devido à gravidez. Erica parece esquivar de sua realidade, se veste e usa maquilagem como se estivesse pronta para mais um dia de ballet. Toda essa frustração resulta em uma criação eternamente infantil de sua filha. Mantém o quarto com cores infantis assim como os bichinhos de pelúcia. Erica, além de pintar medonhos quadros de sua própria filha (Nina) – e chorar enquanto os pinta – vive regulando os horários e a vida privada de Nina.

O professor

Vicent Cassel, em ótima performance, como nunca deixou de ser, interpreta Thomas Leroy, um professor que suga toda energia de seus bailarinos a favor de um espetáculo ousado. Thomas utiliza métodos completamente fascistas para “educar” a bailarina Nina e extrair dela o que ela tem de pior. Ele abusa de seu poder, seduz, e atormenta a recatada garota, que apesar de assumir não ser virgem, parece mais casta que uma criança de doze anos. Thomas nunca mede as consequências de seus atos, e talvez nunca tenha pensado ou se responsabilizado por trabalhar o psicológico de seus bailarinos da forma como ele trabalha. Ele inclusive deixa desamparada a recém aposentada bailarina Beth Macityre, que segundo o próprio Thomas, parece ter intencionalmente se acidentado – o que nos leva a crer que é devido ao abandono pelo próprio diretor e o fim de sua carreira como estrela principal do ballet.

A bailarina acidentada

Beth (Winona Ryder) sofre um acidente logo após saber que foi trocada no ballet por Nina. O que faz com que a jovem sinta um certo peso e culpa por ver sua companheira de profissão numa cama de hospital.

A amiga negra

Já influenciada pelos sonhos com o ballet dos cisnes, Nina se depara pela primeira vez com Lily (Mila Kunis) em um metrô. Neste momento ela nota certa semelhança física entre elas. Mais tarde, Nina encontra-se novamente com Lily no ballet e descobre que são colegas de profissão. Nina vê Lily como uma libertina e liberta, uma bailarina que, segundo Thomas, não possui o domínio da técnica como Nina, mas se movimenta com naturalidade, leveza e sensualidade. Lily tenta fazer amizade com Nina, a faz conhecer um pouco de si própria, mas vai tomando dimensões assombrosas para a personagem principal. O fato de Lily ser admirada por Thomas e possuir características de “cisne negro” aguça o imaginário de Nina, Lily passa a ser também uma ameaça.

NINA

É neste ambiente que vive a personagem de Natalie Portman. Nina tem em seu quarto uma caixinha que toca a melodia do Cisne Negro, o que talvez a faz sonhar com a peça antes mesmo dela surgir como proposta de espetáculo do seu ballet.
Nina é a escolha perfeita para viver o Cisne Branco, mas a ousadia de Thomas pede que a bailarina principal interprete as gêmeas – o negro e o branco. Nina tem então que libertar-se, conhecer seu lado mais escuro.

É através da temática da sexualidade que Aronofsky conduz a transformação no filme e Thomas conduz a libertação de Nina.
De uma garota frígida na vida e na dança, bloqueada pela mãe, Nina vai sendo incentivada a conhecer seu próprio corpo, a tocar-se e masturbar-se.
A sexualidade é “recalcada” em Nina. Ela precisa entrar no jogo, deixar-se conduzir uma auto-analise. Conhecer a ela própria.
A mãe que tenta criar a filha como uma criança, está presente até no primeiro ato de liberdade, quando Nina se toca pela primeira vez após sugestão de Thomas. Ela é a guardiã do lugar comum.

Erica parece não querer ver sua filha atingir um status mais alto e superá-la. Erica é uma bailarina frustrada que nunca conseguiu notoriedade. Ela inclusive tenta conformar a filha e encorajá-la a aceitar os papéis menores.

É nesse ambiente sempre claustrofóbico, polifônico e perturbador que Nina vai se perdendo e se encontrando. Aronofsky mostra a dualidade de Nina também através da fotografia. Com jogos de luz e sombra, ele apresenta a psicose da personagem e seu lado escuro vai prevalecendo ao caminhar do fim do filme.

Nina vai afundando-se cada vez mais, os diagnósticos psicopatológicos são mais evidentes. Ela se sente perseguida por si mesma e por Lily. Sua própria imagem no espelho parece ser inimiga.

Nina, mergulhada em seus delírios deixa de distinguir realidade e ficção. Suas feridas já deixam de ser humanas, seu corpo começa a ser tomado por penas e seus pés começam a se transformar em patas de cisne. A personagem começa a se ferir cada vez mais.
Lily, sua amiga-inimiga, acaba virando mais um de seus delírios. A cada vez que Nina tenta atacar estes delírios ela acaba atacando a si própria. Nina é sua própria assombração e isso leva-a conseguir o feito de encarnar a dualidade do cisne branco e negro. Chegado esse momento Aronofsky também se entrega. Assume os efeitos old-school. Aproxima-se mais da nova Nina, dança com ela, troca olhares com os avermelhados olhos do cisne negro. Por fim e esperado, a psicose de Nina toma dimensões graves, a bailarina não é sucumbida pelo perfeccionismo, mas pelo mergulho em si mesma. Por superar as barreiras do corpo e perder-se nas barreiras da mente. Nina é ovacionada por sua performance e… (só pra não contar o final).

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Publicado por: erickpingado | 01/02/2011

Athos Bulcão e Ronaldo Fraga

Quem não conhece, ou nunca ouviu falar de Athos Bulcão, quem nunca viu seus azulejos e ladrilhos por Belo Horizonte e principalmente Brasília, dê um stop e consulte um pouco na internet antes de continuar a ler este post.

Confesso que foi a três anos atrás, quando assisti o documentário do Win Wenders sobre o Yamamoto chamado Notebook on Cities and Clothes, que me interessei um pouquinho pela moda. Mas mesmo assim foi pouco. Não sou daqueles que acompanha tendência ou sabe falar de roupas. Conheço um estilista aqui, outro ali, a história de uma peça de roupa aqui, outra alí. Daí, a um ano atrás conheci a escrita da Llansol. Pela Llansol o vestido ganhou um novo significado. Tenho verdadeiro apreço por essa peça de roupa feminina que parece ter tanta vida quanto qualquer corpo que a veste. E foi nessa empreitada que conheci o trabalho do Ronaldo Fraga. A moda teve um outro sentido pra mim – OU – descobri as artes dentro da moda.

Ronaldo é diferente. Não preciso de mais nada para definí-lo face aos outros. Só assistindo um desfile para entender. Minha estima pelo estilista/artista aumentou ainda mais quando conheci-o em uma mesa de reunião. O seu “olá amiguinho, vamos trabalhar né!” com a simplicidade de um mineiro me fez perceber que ele era alguém comum, mas com um olhar diferenciado. Neste dia vi de espreita pedaços de roupas sendo confeccionadas, estava com um amigo, o João Rocha, que talvez não tenha percebido, mas quando olhei ligeiramente pensei: “Nossa, aquele pedaço de roupa parece um azulejo português”. Talvez tivesse acertado se não fosse pela nacionalidade. Não era azulejo, não era Português. Era ATHOS BULCÃO. Brasileiríssimo, com estudo francês. Ronaldo finalizava naquele momento sua coleção que ontem subiu as passarelas da São Paulo Fashion Week.

Sempre confessei que sou chorão, sensível e emotivo. O desfile me brotou uma lágrima nos olhos e arrepios. Foi maravilhoso. Bulcão estava em roupas, na passarela de São Paulo, que mais parecia um palco milimetricamente dirigido por um artista que estrearia sua nova peça. É, de fato Ronaldo cria sensações, arte, teatro, cores… e no fim sobram as roupas. Sou fã, mas não suspeito pra falar. Basta conferirem:

VEJA O DESFILE AQUI

E depois vão visitar Brasília e entender como Fraga trouxe Bulcão para as passarelas. Ou deem uma olhada naquele prédio do Niemeyer da praça da Liberdade, que têm azulejos incríveis do Bulcão.

Parabéns ao Ronaldo Fraga mais uma vez. E salvas ao Athos Bulcão onde quer que esteja.

Publicado por: erickpingado | 29/01/2011

Sobre semear e colher

Seguindo o blog do amigo e sócio Daniel Ferreira, decidi listar alguns projetos que participei no fim deste ano. Espero que aos que lerem, que façam figa e torçam para que tudo dê certo e traga bons frutos numa colheita bem próxima.

LONGA METRAGEM DOCUMENTAL GERALDO SANTOS PEREIRA

Geraldo Santos Pereira foi o primeiro cineasta a realizar um longa metragem finalizado em cores no Brasil. Sua carreira artística, política e social, sua relação com o cinema e com a família é o tema abordado neste longa metragem.

O projeto foi enviado às principais leis de fomento cultural neste ano de 2010 e aguardamos ansiosos por resultado positivo.

Apesar da demora de viabilizar o filme, acredito ser este um grande projeto com inúmeros desdobramentos.

Atualmente a execução do filme encontra-se sob produção da Camila, Raquel e José Ricardo. Minha participação se deu no estágio de pesquisa, desenvolvimento do projeto e assinarei a direção do filme, assim que os responsáveis pela produção viabilizarem a sua execução. Enquanto isso, talvez pensando já nos desdobramentos e numa possível trilogia GERALDO, estou criando um outro filme com outra abordagem… aguardem novidades.

MOSTRA MINAS DE CINEMA E VÍDEO

Totalmente remodelada, o projeto Mostra Minas de Cinema e Vídeo foi reeditado por mim, pelo sócio Gustavo Cavalieri e pela parceira e produtora Ana Flávia Amaral. A Mostra Minas a partir dessa nona edição ampliará seu circuito por outras cidades de Minas Gerais. O projeto da Mostra Minas foi enviado para diversas leis de fomento cultural e para outros Fundos de Cultura.

LONGA METRAGEM DOCUMENTAL “CADERNO DE SOMBRAS” – RONALDO FRAGA

A convite da professora, escritora, psicanalista e cineasta Lúcia Castello Branco, comecei a produção do longa metragem CADERNO DE SOMBRAS, que terá como tema a relação do estilista Ronaldo Fraga com a escrita e com a cidade de Belo Horizonte. O longa está em fase de pré-produção.

PROJETO CINEMA BIOGRAFEMA, PASSOS LLANSOL, longa metragem Maria Urtiga

Através da figura que denominamos Maria Urtiga, criaremos o percurso de volta ao passado que liga a Maria à escritora Maria Gabriela Llansol. Essa inusitada volta ao passado trará à psicanalista Maria um reviravolta em seu presente, transformando totalmente a relação dessa figura com a escrita.

Este é um projeto de longa metragem dirigido por mim e com orientação da Lucia Castello Branco. As filmagens se iniciam em 19 de Janeiro de 2011. Algumas filmagens serão realizadas em Lisboa em Março. Este filme será parte também do meu projeto de mestrado para a Faculdade de Letras da UFMG.

Aguardem mais novidades.

PROJETO FILMES DE VERÃO

No início do mês de Janeiro realizamos na cidade de Montes Claros a filmagem do curta-metragem ficcional CORPO ESTRANHO. Este empreendimento contou com a produção de Ana Flávia Amaral, direção de fotográfia do cineasta Daniel Ferreira, e no elenco principal os atores Saulo Salomão e Luna Guimarães. O roteiro é de minha autoria e divido a direção com o cineasta Daniel Marques. O filme está em pós-produção.
Juntamente com o curta, dirigi o clipe BADALO, da cantora Lislie Fiorinni. Parte das filmagens foram realizadas também em Montes Claros. Algumas cenas estão em realização no estúdio Fábrica de Arte, na região da Pampulha.
O lançamento do clipe e do filme estão previstos para Junho deste ano. Aguardem.


entrevista na rádio Unimontes – Foto: Daniel Ferreira


Cena do Filme Corpo Estranho – Foto: Daniel Ferreira

Bom, por enquanto é isso. Aguardem os resultados e torçam para que as leis aprovem os projetos…

Um abraços carinhoso,

Erick Leite

Publicado por: erickpingado | 10/01/2011

Corpo Estranho

O mais novo filme da Café Pingado Filmes será rodado em Montes Claros nos dias 13 a 18 de Janeiro de 2011.
Aguardem mais informações.

Roteiro: Erick Leite
Direção: Daniel Marques e Erick Leite
Produção: Ana Flavia Amaral
Realização: Café Pingado Filmes

Sinopse:

O que faz um homem comum se colocar em situações inusitadas e deseperadoras? Após uma noite de bebedeira, João socorre uma mulher de atropelamento. No lugar de levá-la ao hospital, ele carrega a vítima para a sua casa e a guarda em seu guarda-roupas. Passeando com um corpo enrolado em um lençol pela cidade de Montes Claros, João precisa achar uma forma de se livrar de seu problema. Corpo Estranho é um thriller cômico com pitadas de tensão.

Publicado por: erickpingado | 28/10/2010

Onde se esconde o fascismo petista…

Uma vez uma amiga, numa noite de conexões me falou que votaria na Dilma porque “o governo fez muito pelos pobres”, e que eu era contra esse governo porque era um burguês que não sabia o que era passar fome.
Graças a Deus eu não sei o que é passar fome, e agradeço muito por isso. E também não quero vir a saber simplesmente para aumentar meu entendimento no assunto. Justamente por não passar fome, tenho clareza de idéias, tenho uma mente mais liberta que não depende de saber se hoje terá as necessidades básicas do ser humano para sobreviver, que pode ser livre para pensar em qualquer coisa e não precisa se preocupar se hoje haverá pão. Lógico que me toca e me deixa triste a situação do próximo. Não gosto da pobreza, da fome, da miséria e da guerra. Onde e como posso, procuro lutar contra tudo que acredito ser negativo. Mas existe algo mais diluído nessa sociedade humana que é pouco perceptível a muitos, inclusive à minha cara amiga que amo tanto: o fascismo.
Esse sentimento não é tão simples de entender, tão pouco de constatar. Não entro na questão do Lula receber um político extrangeiro que nega o acontecimento do holocausto, não é isso. O fascismo está dentro de nós, talvez desde o nascimento, ou passado comportamentalmente, não sei. O fascismo, que apareceu em sua expressão máxima na segunda grande guerra, vestido sob o nome nazismo, se apresenta também em atos singulares. Encarcerar a liberdade, subjulgar uma pessoa, principalmente por um ato, ou por uma característica que ela não escolheu, são momentos de tremendo fascismo. Obrigar uma pessoa a escolher o que ela não quer e excluí-la do sistema social quando ela não se enquadra, é sim um movimento fascista.
Refletindo volto à conversa com minha cara amiga. Ela citou o sistema de cotas e bolsas do governo petista como algo evolutivo. Eu pergunto: que evolução é essa?
Ela responde: as pessoas saíram da miséria.

Penso que tirar o povo da miséria deveria ser um princípio básico de um governo, obrigatório. Vangloriar dessas medidas não causam efeito sobre meu discernimento. Um governo deve ter em sua agenda alguns pricípios básicos, o acesso à alimentação é talvez o mais elementar destes. Então volto ao sistema de bolsas e discuto sobre o programa bolsa escola. Uma esmola pequenininha, mas que funciona para trazer comida à mesa de quem não tinha. Ótimo. Porém, ótimo para aqueles que não permitem esticar o pensamento, que são travados à redeas curtas e se enganam com propagandas governamentais filmadas em câmeras RED de alta qualidade com os melhores atores que puderem encontrar. Inclusive relato outra deficiencia do povo brasileiro: a ingenuidade perante a imagem. A bolsa escola é destinada à família que mantém a criança na escola. Agora imaginamos a sua família dependendo dessa bolsa para comer (e como depende, porque o governo oferece esmolas demais e oportunidades de menos). Um belo dia os fiscais passam em sua casa e percebem que seu filho parou de ir a aula, pergunto: Qual a consequencia?
Simples, sem aluno na escola, sem bolsa escola. Então aquele dinheiro que foi entregue a você, para sua necessidade básica, é tomado. Você, nesse sistema, é obrigado a aceitar a forma ditada (palavra lembra ditadura não?) do contrário, é excluído do acesso ao básico para sobrevivência.
É dificil entender que o governo não fornece o básico à população? Ele apenas sustenta uma enorme vitrine para se manter no poder. De modo ditatorial e fascista eles obrigam as pessoas a se enquadrarem no seu modo de governar e excluem aqueles que são contrários. Não nos dão espaço à reflexão e jogam todos em uma imensa bola de neve que rola ladeira abaixo, coletando todas as falhas sociais despedaçando dentro da escola, que é obrigada a abrir a porta para os problemas todos e não recebe, nem pela fresta da janela, uma rajada de solução. E no fim, para contornar tudo isso, arregassam ainda mais as portas das universidades e colocam lá dentro alunos despreparados, que formam no terceiro grau incapazes de fazer uma reflexão sobre o prórpio umbigo.

Sistema controlador. Daqui a alguns tempos temo ver pessoas, inclusive queridos amigos, se submetendo a algum tipo de implantação de chip subcutâneo para o controle cerebral por acreditar que somos livres. Aí lembro a eles de escreverem a palavra LIVRES numa folha de papel e colocar de frente ao espelho.

Reforço que não sou PSDBista e tão pouco votarei no Serra. Estou aqui acusando as falhas que hoje são tidas como sucesso. Para mim, independente do resultado, preciso refletir e tentar fazer alguma miudeza para ajudar o próximo e o mundo. Se pudesse preferiria não ter nenhum dos candidatos do segundo turno no poder. Precisamos de uma outra fórmula, algo diferente desses últimos dezesseis anos.

Um abraço do amigo,

Erick Leite

Publicado por: erickpingado | 26/10/2010

Não me obriguem a escolher

Pessoas,

Antes de tudo queria dizer que fico triste quando os “camaradas” e os “tucanos” me reprimem, de maneira fascista, quando digo que irei votar nulo. Anular é uma opção que temos num processo eleitoral em que somos obrigados a levantar o traseiro e ir votar. Eu sei que terei que engolir um dos dois candidatos, mas quero ir expressar meu descontentamento em ter que escolher entre dois ruins. Então é isso que farei, direi que não gosto dos candidatos que aí estão para se escolher. Tenho recebido emails de direita e esquerda, que muitas vezes se encontram pelo centro, mas afirmo que não conseguiram conquistar minha simpatia.

Estou aqui mais uma vez para conversar com queridos amigos sobre um tema que muitas vezes tira meu sono (como agora): eleição.

Estava vendo as propostas de governo entregues ao TSE dos dois candidatos. Hoje quero discutir uma das mais importantes: a Educação.

Começarei com as propostas vermelhas.

É incomodo o tanto que a Dilma fala em investimento universitário e às vezes esquece-se de falar da educação de base. A universidade hoje está voltada para vitrine política muito mais que para o desenvolvimento científico. O governo petista está mais preocupado em números de pessoas estudando na faculdade do que a qualidade do ensino. Esse sistema de cotas é incrivelmente absurdo. Ele diz: estudantes de escolas públicas e negros terão uma leve vantagem. Bom, vamos analisar? Dar vantagem a negros e estudantes de escola pública é assumir uma grande falha no sistema social e educacional: os negros continuam sofrendo com desigualdade e as escolas públicas não recebem o investimento necessário. Aí qual é a solução do governo petista? Jogar o problema para a Universidade… “é, lá na frente a gente corrige”.
Nããããããão. Isso tá errado. O país tem que investir lá na escolinha. No local onde o professor, que ganha pouco, tem que ensinar a criança o beabá. E continuar investindo na formação fundamental e média. E em escolas técnicas que retornem em empregos, com uma forte participação da iniciativa publica-privada para abrir o gargalo das oportunidades aos que formam. E na universidade, chegar a um nível onde não precisaremos identificar quem é Kaká ou quem é Robinho. Preto, branco, classe média ou não, você terá oportunidade igual, desde o berço. Isso não está nem nas entrelinhas do governo de esmolas do PT.
Não gosto da política educacional do PT de antes e não gosto da apresentada agora. Repito: investir pesado em educação, mas de modo ponderado, de forma a destinar verba para todos os níveis da educação, da pré-escola à universidade. Enxergar as cotas (que sou contra) como algo paliativo de urgente reestruturação e extinção. Fazer das cotas um mito, para que todos cheguem com a mesma oportunidade.
Direcionar as pesquisas científicas em consonância com as necessidades econômicas do país. Parar de pensar em números e preocupar com a qualidade. Professores de hoje realizam pesquisas de excelência na base da guerrilha e “super boa vontade”. Que isso se transforme e que os professores possam produzir profissionalmente, com um direcionamento de verba maior para as pesquisas. Incentivar as “pesquisas puras”, teóricas, e trazer o investimento privado para trabalhar junto nas pesquisas aplicadas. O governo tem que entender que o Brasil possui capacidade encefálica, mão de obra e dinheiro para fazer da Amazônia (por exemplo), um negócio rentável.
Me assusta ver esses protetores de animais fazerem propaganda para um governo que incentiva a expansão pecuária na Amazônia (destinando verba para isso).
Portanto, digo não à Dilma. Pensando em um quesito e dando pitadas em outros.

Agora vamos ao outro não, aos Tucanos.
Do site do Serra:
“Em Londrina (PR), Serra recebeu uma carta compromisso solicitando o aumento do número de creches, a erradicação do analfabetismo no País, a ampliação das matrículas nos ensinos profissionalizantes e superior e a garantia de que, até 2016, todas as crianças e adolescentes estejam dentro de uma sala de aula. “Esse documento que me foi passado é como se eu mesmo o tivesse escrito. Nós precisamos de um Plano Nacional de Educação, precisamos de uma mobilização, uma obsessão nacional pelo ensino de qualidade e apartidário.
Hoje também é o meu dia, porque eu trabalhei a minha vida inteira como professor. Até como governador e prefeito de São Paulo, eu nunca deixei de dar aula, porque eu ia às escolas sentir os problemas e dificuldades do ensino”, disse.
Serra ainda defendeu o auxílio do governo federal aos estados e municípios menos desenvolvidos para pagarem o piso salarial dos professores: “Apesar de o piso ser baixo, muitos não têm condições financeiras de pagar e o governo federal não cumpriu o compromisso de complementar esses recursos”. E completou: ‘Temos que fazer uma aliança entre todos, criar condições materiais decentes e garantir a formação permanente dos professores’”.

O problema do Serra é a capacidade de mentir na cara dura e firmar acordos fluidos. Como confiar em um candidato que registra a própria palavra em cartório e a descumpre? Difícil né…
Concordo, precisamos de um Plano Nacional de Educação… mas como meu querido Serra?. me apresente a proposta… aí vêm as respostas da cartilha do doutor Serra:
“Distribuir cem milhões de livros de literatura brasileira por ano para professores e alunos da rede pública a partir do 5º ano do Ensino Fundamental”.
E fazer o que com isso? Vai ser igual ao kit de literatura Africana que já é distribuído pelo governo federal? Este pouco é usado pelas escolas. Não há direcionamente nem treinamento para o melhor uso deles. E outra. Como fazer o aluno do quinto ano realizar uma tarefa em que ele não foi preparado pra fazer? Ler. (Tá, vai falar que isso é um problema do sistema de educação do PT, e você vai fazer o que?)
Aaaaa. Brilhante. Você então vai “garantir dois professores em sala de aula nas primeiras séries do Ensino Fundamental, para que TODAS as crianças de até oito anos sejam alfabetizadas. Enquanto a professora titular passa a lição, a auxiliar ajuda a criança que está com dificuldade de aprender”. E vai duplicar o gasto com professor e continuar pagando uma miséria dobrado… ótimo! E as salas de aula continuarão com 50, 60 alunos? Ótima idéia Serra!
Posso sugerir uma coisa que possivelmente pode dar certo? Porque não ampliar o número de escolas públicas, igual ao que já estão fazendo com as universidades… Mas olhe. Não se esqueça de contratar professores tá. Outra coisa, já pensaram que a política de oficinas culturais dentro da escola, em horário extra, pode trazer benefícios? Pode inclusive fazer o aluno se interessar por leitura, sabia? Eu mesmo, euzinho aqui, um Zé ninguém, tenho experiência de sucesso pra te contar…
E o Serra vem com a proposta: “Garantir o acesso de pessoas com deficiência à escolarização”. Aí deixo apenas uma pergunta: Vai treinar o corpo docente para receber estes alunos ou vai simplesmente jogá-lo dentro de uma sala de aula. Tente aprender com os erros dos rivais. Ao abrir a porta para todos, você abre também a porta para todos os problemas da sociedade… e para isso meu amigo, deve-se pensar em todas as soluções.

“Garantir que todas as escolas tenham computadores conectados à internet”. Por favor, não faça disso uma oportunidade de superfaturamento. E que os computadores obedeçam a cronologia tecnológica. E aprenda de uma vez por todas a adotar uma política de software livre, “pelamordedeus”.

Pessoas, eu poderia citar várias medidas do Serra e encontrar buracos. Até mesmo porque as promessas dos tucanos estão mais claras e de mais fácil acesso pela internet que as da camarada Dilma. Porém, ainda não consigo visualizar políticas sólidas que visem o avanço tecnológico, cientifico, cultural e social do país. Vejo o uso da Universidade como vitrine política, o que é triste. Vejo as crianças formando e chegando ao ensino médio sem lerem um livro se quer (isso quando sabem ler)…
Bom, poderia votar… Mas não estou satisfeito em nenhum dos lados… isso porque ainda não falei da minha saga nas propostas ambientais… nossa, dói. Por isso irei à urna dizer meu não. Não aos dois candidatos. Sei que um deles será nosso “mentor mor” e por isso mesmo eu torço para que eu esteja errado e que eles acertem mais do que o pouquíssimo que já fizeram. Bem mais, por favor. Eu continuarei com meus miúdos projetos, minhas miúdas fiscalizações e minhas miúdas discussões. Quero crescer junto com o país. Lutar pelo que acredito e ver menos desigualdade de oportunidade.
Ah é, e ter valor como artista. Pois arte é também profissão. Mas isso acho que é demais pra cabeça desse povo.

Um abraço,

Seu amigo, Erick Leite

Publicado por: erickpingado | 29/09/2010

Eleição

Eu só hoje consegui decidir se iria ou não votar, e dentre essa turbulência, passei semanas, em horários livres, pensando em quem votar. Gostaria de compartilhar com vocês, ainda mais porque meus candidatos ainda estão longe do favoritismo e por enquanto, perderão já no primeiro turno.

Para a presidência, ao observar a pequena queda em intenções de votos para Dilma (o que me aliviou), decidi que não iria anular. Vou votar na Marina, do partido verde. Acompanho a Marina desde quando Ministra do Meio Ambiente. Acompanhei bem o trabalho dela. E fiquei decepcionado com o governo Lula mais uma vez, quando vi Marina, no dia treze de maio, pedir demissão do Ministério. Ela o fez porque via na política pública nacional, a impossibilidade de seguir a agenda ambiental. Forças maiores impediam o progresso das políticas ambientais e ela decidira, naquele dia, não apoiar tais forças. Infelizmente tivemos Carlos Minc sucedendo Marina no ministério. Marina sai do PT por discordância acerca exatamente das políticas ambientais do partido entre outros fatores.

Eu sempre pendo por me preocupar com quatro importantes pilares de uma sociedade antes de votar: meio ambiente, educação, saúde e cultura. Decididamente, acho que a proposta e a coerência da política ambiental da candidata Marina foi a que mais me atraiu. Assim como a proposta para o setor cultural.

Falando em setor cultural. Acabo por utilizar principalmente este fator para decidir-me não anular meu voto para governador. Votarei no Zé Fernando. Que inclusive conheci pessoalmente, em breve momento em um evento onde a minha namorada ganhou os prêmios de melhor música e melhor intérprete. A breve apresentação que me fizeram do Zé Fernando me chamou atenção. Também li as propostas. A fato de pensar que o governo Aécio poderá continuar ou até mesmo Hélio Costa assumir o governo me treme as pernas.

Para deputados, tanto estadual como federal, as escolhas são várias. Mas decidi buscar aqueles que procuram medidas de melhoria do direito das mulheres e do acesso e desenvolvimento cultural, principalmente em Minas Gerais e no interior e norte do estado. Vocês procurem saber.

Não acho que votar seja essencial. Acho que deveria ser uma escolha. Eu fiz a minha escolha de votar. A última vez em que votei, optei pelo Lula e me frustrei, amargamente. Sei que isso pode acontecer novamente, mas como não tenho soluções imediatas para mudar o mundo, tento novamente acreditar que os candidatos que escolho realmente cumprirão com suas propostas.

Agora fico a torcer.

Publicado por: erickpingado | 01/09/2010

Dupla divulgação

Uma pequena brincadeira.

Música “Tudo Isso” de Lislie Fiorinni e cenas do curtametragem “Antes do Último Tango” da Café Pingado Filmes.

Publicado por: erickpingado | 24/08/2010

Lislie Fiorinni: uma carreira promissora

Depois de se tornar conhecida do público mineiro ao ser uma das selecionadas para a gravação do DVD do “Vozes do Morro”, Lislie Fiorinni iniciou um promissor projeto de samba. Este compreendia a releitura de músicas consagradas e a gravação de suas próprias composições. Com o samba, Lislie foi sendo conhecida em sua cidade natal, Nova Lima, assim como em outras cidades do estado. O projeto culminou com a premiação da música “Badalo” no Festival da Música no município de Cláudio. Decidida a expandir os horizontes, Fiorinni começa a trabalhar em composições que dialogam com outros estilos musicais. Com nova banda, Lislie grava a música “Tudo Isso”, que conta com uma formação diferenciada de violoncelo, violino, flauta, violão e vibrafone. A música marca então a nova fase da cantora, mais experimental, arriscando novos timbres e novas influências. “Tudo Isso” fez, neste mês de agosto, jus ao nome. Com essa música, Lislie Fiorinni ganhou todos os prêmios possíveis de um dos maiores festivais de música popular de Belo Horizonte, o Festibar, que está na sua quinta edição. Com os troféus de Melhor Música, Melhor Intérprete e Escolha do Público, Lislie decide continuar pelos caminhos da experimentação e inicia um novo projeto recheado de músicas e timbres novos. O público e os fãs podem esperar, 2011 começará de roupagem nova para Fiorinni e banda.

Publicado por: erickpingado | 12/06/2010

AMANHÃ GALERA!!!

Evento de lançamento de um portal bacana da música brasileira. Mais uma força de apoio à produção independente do cenário nacional. Confiram!!!

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